ÂNCORA - Revista Latino-americana de Jornalismo

A Revista Latino-americana de Jornalismo – ÂNCORA é uma publicação acadêmica vinculada ao Programa de Pós-graduação em Jornalismo da UFPB destinada a acadêmicos, pesquisadores e profissionais do jornalismo do Brasil e do exterior. A Revista é direcionada a produção acadêmico-científica na área do Jornalismo e suas interfaces e aplicabilidades no campo comunicacional e áreas afins. Enfatiza a pesquisa, reflexão teórica-metodológica, vertentes e hibridismos do campo jornalístico bem como análise das práticas e produtos do mercado da notícia, plataformas de produção e veiculação jornalística. ÂNCORA tem como objetivos estimular a produção acadêmica, a pesquisa, a reflexão analítica, a experimentação e as releituras dos processos comunicacionais demarcados no campo do jornalismo.

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The scientific journal Latin American Journalism - ÂNCORA is an academic publication linked to the Graduate Program of Journalism at the Universidade Federal da Paraíba aimed at academics researches and practitioners of journalism from Brazil and abroad. The journal is targeted at academic-scientific production in the area of journalism and it’s interfaces and applicabilities in the communication field and related fields. The journal emphasizes researches, theoretical and methodological reflection, sheds and hybridity of the journalistic field as well as analysis of practices and news market, production platforms and news broadcasting. ÂNCORA aims to stimulate the academic production, research, analytical reflection, experimentation and reinterpretation of communication processes demarcated in the field of journalism.

 

 

Notícias

 

Chamada para 2° Semestre de Âncora

 

Eixo Temático: Estudos feministas e de gênero em jornalismo: história, metodologia e epistemologia

Editoras convidadas: Glória Rabay (UFPB), Margarete Almeida (UFPB), Gabriela Almeida (UFSC) e Jéssica Gustafson (UFSC).

A trajetória da relação ambígua e potente entre o feminismo e a academia é longa. Dos chamados estudos de mulheres, até a década de 1970, ao campo dos estudos de gêneros, que se intensificaram a partir da década de 1980, a atuação de feministas dentro das universidades provocou tensionamentos em alicerces importantes do que tradicionalmente se entendia por conhecimento válido, assim como o perfil e atributos esperados para caracterizar o então sujeito produtor do saber científico. As feministas ingressam na academia e não apenas passaram a pesquisar a situação da mulher na sociedade, mas também denunciar o caráter masculinista da produção de conhecimento, questionando se a lógica acadêmica e científica em vigor até o momento poderia realmente dar vazão aos projetos feministas: “A procura por novas maneiras de pensar a cultura e o conhecimento marca estes estudos, com o questionamento dos paradigmas das ciências e as definições tradicionais de sociedade, política, público, privado, autonomia, liberdade, etc.” (ZIRBEL, 2007, p. 19).

Passadas décadas desta entrada nada despretensiosa, o movimento feminista e sua atuação dentro da esfera acadêmica têm se deparado com questões importantíssimas, como a consideração da diferença dentro da diferença, de feminismos dentro do feminismo. A desconsideração de outros marcadores sociais, como raça, classe, sexualidade, etnia e geração, demonstrou seguir a mesma lógica opressora que tentavam combater. Substituir a universalidade do sujeito homem-branco-heterossexual pela da mulher-branca-heterossexual se tornou armadilha para a potencialidade do pensamento feminista e dos estudos de gênero. O conceito de interceccionalidade, cunhado por Kimberlé Crenshaw (2004) e lapidado por diversas outras teóricas, não pode ser mais desconsiderado. O resgate e disseminação da produção de feministas chicanas e latino-americanas vem proporcionando mais um salto político e teórico, trazendo o que Simone Pereira Schmidt (2015) chama de caminho ao Sul, uma “possibilidade para os estudos de gênero, em seu percurso nômade e contestador, descentrado, na fronteira, no exílio, e na intersecção” (SCHMIDT, 2015, p. 494).

Essa breve introdução não foi escrita apenas para situar o momento e percurso dos estudos feminista e de gênero na academia, mas para embasar a pergunta: e o jornalismo com tudo isso? Na comunicação, as relações com os estudos feministas e de gênero no início da década de 2000 eram ainda pouco exploradas (ESCOSTEGUY;MESSA, 2008). Só na virada para a década de 2010, com volume e constância de pesquisas, que o espaço dos estudos feministas e de gênero no campo é reforçado. A institucionalização desse espaço ganhou expressividade nos encontros do ano de 2018 da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação, com a criação do Grupo de Trabalho Comunicação, Gêneros e Sexualidade, e da Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo, com a mesa de trabalhos Mulheres e questões de gênero.

Podemos afirmar que os estudos feministas e de gênero atravessam por completo o jornalismo, da sua produção à recepção, na maior parte do mundo. Prova dessa afirmativa são alguns dos estudos produzidos ao longo dos anos 2000. São pesquisas que buscam identificar o lugar das questões de gênero na notícia (FERNANDES, 2015; COSTA, 2015; MARTINS, 2010; VEIGA DA SILVA, 2010), na profissão do jornalismo (PORTELA, 2015; DIAS, 2001; MATOS, 2006; CRIADO, 2001) e investiga o conhecimento do jornalismo a partir de uma perspectiva feminista (VEIGA DA SILVA, 2015). Além disso, os estudos apresentam dados de proporções globais (VELOSO, 2013).

 
Publicado: 2019-07-02 Mais...
 
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v. 6, n. 1 (2019)


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